Nada como passar pessoalmente pelo problema para, mesmo
trabalhando com Direito do Consumo, obter um caminho mais promissor. Lembro que,
há pouco mais de 4 anos, bastava ir à loja TAM do aeroporto e “escolher” (veja
bem o verbo que indica que havia “opção”) o melhor destino e horário para
emitir os bilhetes usando as tais milhas aéreas acumuladas. E, não muito longe
ainda, era possível, ao menos, optar pelo vôo diurno ou noturno, mesmo que em
datas mais restritas. Mas está tentando emitir bilhetes aéreos com milhas da
TAM/Multiplus recentemente? Então já sabe que tudo isso mudou e que, se obter 1
mísero assento nos próximos 6 meses para voar para Miami ou Orlando, você é um verdadeiro
vencedor!
Confesso que conseguir emitir 3 bilhetes juntos para um vôo
internacional, em classe executiva, foi
uma sensação de sucesso indescritível. E se foi possível fazer isso, deve-se a
um roteiro básico, que espero que possa auxiliá-lo a também conseguir:
1
– Para emissão de bilhetes internacionais, em especial para os EUA e Canadá, esqueça
o site da TAM e as lojas do aeroporto. Algumas
informações prévias são importantes:
(a) o prazo de validade dos bilhetes
internacionais é de 6 meses. Isso quer dizer que você poderá emitir passagens,
a contar de hoje, para até 180 dias. Assim, se quer viajar em abril, por
exemplo, inicie a busca por assento agora em outubro;
(b) pelo mesmo motivo, teoricamente, os
assentos para os vôos com data daqui exatos 6 meses deveriam ser todos
liberados hoje às 00:01 da madrugada. Contudo, segundo o que funcionários da
própria TAM me disseram, essa lógica não é perfeita. Isso porque os assentos
podem ser liberados “aos poucos”, o que quer dizer que se você não conseguiu
hoje, amanhã é outro dia e é preciso seguir tentando;
(c) existe a baixa e a alta temporada, ou
seja, somente entre 15 de março e 31 de maio e de 16 de agosto até 30 de
novembro é possível emitir bilhetes com aquele número mínimo restrito de pontos
(20 mil para cada trecho Brasil-EUA e EUA-Brasil ou 30 mil para cada trecho
Brasil-Europa e Europa-Brasil). Todas as demais datas são consideradas alta
temporada e pode ser que você esteja procurando o impossível, pois, pela
própria regra do programa de milhagem, não haverá qualquer assento na alta
temporada pelo número mínimo de milhas (aqueles 20 e 30 mil para classe
econômica). Acesse o link da TAM e confira a pontuação necessária para cada
época e destino;
(d) o site da TAM somente disponibiliza buscas
nos vôos da própria companhia. Dessa forma, você abrirá mão das consultas junto
a United, Air Canadá, Continental, Lufthansa, TAP, entre outras. Lógico que
vale conferir, até diariamente, a disponibilidade. Contudo, hoje é mais fácil
emitir trechos pelas demais companhias da Star Alliance para os EUA do que
diretamente com a TAM;
(e) as lojas dos aeroportos possuem, a
princípio, o mesmo sistema de consultas da Central de Atendimento (4002.5700),
mas há restrição de horário. Muitas das reservas “caem” ou assentos novos são disponibilizados
depois das 20 horas ou antes das 6 da manhã. Já ouvi dos próprios atendentes da
loja da TAM do aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre que muitos clientes
saiam de lá sem conseguir a reserva, mas acabavam retornando depois, somente
para emitir os bilhetes e fazer o pagamento direto das taxas de embarque, com
códigos de reserva obtidos pela Central de Atendimento;
(f) você pode fazer a reserva e não emitir no
mesmo dia. Isso quer dizer que é possível ficar ligando e renovando alguns
trechos até conseguir “fechar” a viagem toda. Por exemplo, você conseguiu hoje
a reserva de ida, mas ainda não abriram os assentos para a volta. Para não
correr o risco de emitir e depois ter que cancelar ou perder os assentos de ida
esperando reservar somente tudo junto, faça a reserva sem emissão. Confira o
horário final limite para renovação e vá ligando sempre que possível.
Persistência!
2
– Utilize a Central de Atendimento (4002.5700). Os melhores horários são após
as 22 horas e antes das 6 horas da manhã. Eu emiti meus últimos bilhetes
exatamente às 23h20min de um domingo;
3
– Seja gentil e educado com os atendentes. Afinal, você depende exclusivamente
da boa vontade deles na busca de assentos. Informe-se sobre aeroportos próximos
e sugira a eles que também pesquisem por essas alternativas. Por exemplo, para
o destino de Orlando, tente também os aeroportos de Tampa e de Port Canaveral.
Cogite conexões estratégicas. Pode não ser tão ruim trocar de aeronave em
Houston ou Washington, dependendo do seu destino. Contudo, confirme se os
trechos internos (dentro dos EUA) honrarão com a franquia de bagagem
internacional (2 vezes 32 kilos para cada passageiro);
4
– Saiba que algumas coisas são possíveis e outras não: pela United, por
exemplo, pode-se unir um trecho em classe executiva com outro em classe
econômica. Paga-se milhas pelo trecho maior. Já com a Continental, somente conectam-se
trechos de classe equivalente ao de saída, ou seja, eu havia conseguido
assentos no vôo São Paulo – Houston em executiva e depois em Houston – Orlando
em econômica, mas não foi possível emitir os bilhetes porque, pela regra da
Continental, mesmo que eu pagasse tudo como business,
o sistema não aceitaria finalizar. E,
infelizmente, não dá para fazer stop
e ficar uns dias na conexão. O sistema de reservas só reconhece como um “mesmo
bilhete” conexões de no máximo 23h59min minutos. Se precisar parar, serão
cobradas as milhas correspondentes ao trecho interno;
5
– Dedique-se! Levam-se em média 10 dias para conseguir a emissão de bilhetes
internacionais (EUA e Canadá), mas saiba que eles ainda existem sim!